“A cultura é um direito e deve ser estendida a toda a cidade”, diz Goura

“A cultura é um direito e deve ser estendida a toda a cidade”, diz Goura

O setor cultural é um dos principais eixos do programa de governo do mandato Goura 12, candidato a prefeito de Curitiba pelo PDT. Goura diz que a cultura é para todas e todos. “A democratização do acesso à cultura é um direito e deve ser estendida a toda a cidade. Vamos valorizar a arte urbana, distribuir igualitariamente os equipamentos culturais nos bairros e periferias, descentralizar as atividades culturais e ocupar os espaços públicos com o melhor da nossa arte”, afirma.

No âmbito municipal, a Fundação Cultural de Curitiba (FCC) é quem centraliza as demandas e editais para o setor. Porém, de acordo com a reportagem, falta ainda muito incentivo, apoio à classe, ampliação e manutenção de espaços, abertura ao diálogo, descentralização da cultura, entre outras reivindicações.

O pianista, musicólogo e historiador Daniel Binotto avalia a composição das leis de incentivo da FCC. “Apesar de ser uma importante ferramenta de desenvolvimento artístico para a cidade, a computação dos votos dos membros das leis de mecenato da Fundação Cultural de Curitiba é disposta de forma a que, apesar de contar com pareceristas especializados em cada matéria, a decisão fique sempre em mãos das diretorias daquela instituição. É urgente que se mude tal composição, de forma a permitir que o papel dos especialistas não seja apenas uma legitimação da vontade da prefeitura”, afirma.

Alessandra Dias é produtora cultural, jornalista e bailarina de Flamenco. Participa também da Frente de Cultura (FUC) de Curitiba e Paraná, e analisa que o setor está sendo fortemente negligenciado. “A pauta da Cultura vem sendo arduamente negligenciada nos âmbitos federal e estadual. Ministério e Secretaria, respectivamente, foram excluídos e o setor recebeu a chancela de ser apenas uma pasta junto a outras, como comunicação e turismo. Em Curitiba, a Fundação Cultural de Curitiba se manteve ativa, mas poucos avanços aconteceram. Diante desse cenário, muitos coletivos se articularam para defender a classe artística, na busca de maiores incentivos e o reconhecimento do setor como responsável pela geração de extensa cadeia produtiva”, pontua.

Descentralização

Wilmar Correia de Oliveira é músico voluntário no projeto social “Estilo Livre”, no bairro Alto. Ele diz que um dos problemas dessa região é um incentivo direcionado e focado na educação social. “Precisamos de apoio ao esporte, música, leitura, arte, um conhecimento geral da política social e econômica. Trazer também projetos em praças públicas, como dança, Hip Hop, grafite debates e festivais culturais, procurando sempre instituições sociais incorporada na nossa região”, diz o músico.

Espaços esquecidos

O musicólogo Daniel Binotto reforça que há locais culturais esquecidos na cidade. “A Sala Scabi, localizada no Solar do Barão, tem valor histórico inestimável para a área da música de Curitiba. Relegada hoje a um amontoado de cadeiras, sua inatividade constitui uma afronta a memória artística do nosso povo.  Também a Sala Londrina, no Memorial de Curitiba, constitui-se numa excelente sala de concertos, apesar de atualmente seu uso ser direcionado para eventos corporativos”, pontua.

Segmentos

Aline de Souza, produtora e roteirista audiovisual discorre sobre sua área: “O Audiovisual é um campo de produção cultural muito difícil porque tem um custo muito alto e a dificuldade de conseguir apoio/patrocínio. Sobretudo se você não está em um grande centro, e não tem a participação de grandes figuras midiáticas que possam atrair mais patrocinadores. Mas a exemplo de São Paulo, que conseguiu ter uma pasta específica e atrair grandes produções para a cidade, acredito que Curitiba também tem esse potencial. Atrair grandes produções e incentivar a produção local para que o profissional possa adquirir mais experiência e competitividade na área,” sugere.

No setor da Dança, a bailarina de flamenco Alessandra Dias acredita que precisa ter muito mais avanço. “Tratando da área que atuo, a dança, acredito que muito ainda precisa ser feito. Fortalecimento do Setorial, elaboração de editais que abracem todos os estilos da dança, descentralização e maior valorização do que é feito na periferia, aproximação do Conselho Municipal de Cultura dos coletivos, participação dos representantes de dança nas comissões do Mecenato e Incentivo, aumento das ofertas de cursos profissionalizantes, amplificação da agenda da Casa Hoffmann, formação de plateia, ampliação dos investimentos dentro da LOA 2022, etc.”, frisa.

Pandemia e políticas públicas

O setor cultural foi um dos mais afetados economicamente pelas medidas sanitárias de distanciamento e isolamento social para conter a pandemia do coronavírus.

Um estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), em parceria com a Secretaria de Cultura e Economia Criativa, e o Sebrae, apontou a queda de 31,8% do Produto Interno Bruto (PIB) no segmento em 2020.  Além disso, no Brasil, o setor de economia criativa corresponde a 2,64% do PIB, sendo responsável por 4,9 milhões de postos de trabalho por todo o país.

Alessandra Dias comenta: “O Goura sempre batalhou para que políticas públicas fossem elaboradas e aplicadas ao segmento. Para 2021, o olhar precisará ser diferente, pois existe a necessidade urgente de promover iniciativas que fomentem este que foi um dos setores mais impactados na pandemia do coronavírus”.

No programa de governo de Goura 12, está prevista a criação do primeiro “Centro Público de Economia Solidária” do município, com oficinas, apresentações culturais e venda de produtos e serviços.

De acordo com o candidato, Curitiba é berço de uma vasta produção cultural que movimenta a economia do município. “Vamos fortalecer as políticas públicas para este setor que foi diretamente afetado pela pandemia de coronavírus, aumentar o orçamento da área e retomar as Conferências Municipais de Cultura, em diálogo constante com a classe”, afirma Goura.

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