Goura defende o resgate da importância da política em entrevista ao Brasil de Fato Paraná

Goura defende o resgate da importância da política em entrevista ao Brasil de Fato Paraná

Para que a gestão da cidade seja voltada para a maioria das pessoas é preciso resgatar a importância da política e incentivar a participação popular. “A política está presente na vida de todos os cidadãos. Por isso, é importante que os representantes políticos façam um trabalho para que a população possa participar ativamente e saber o que um prefeito e um vereador realmente podem fazer no exercício do cargo”, disse Goura.

Ele participou, nesta quinta-feira (5), da série de debates, em forma de sabatina, promovida pelo Brasil de Fato Paraná com os candidatos e as candidatas à Prefeitura de Curitiba, que estão no campo popular e progressista. Os entrevistadores foram os jornalistas Pedro Carrano e Ana Carolina Caldas.

Importância da política

“As pessoas não acompanham hoje a política. Todas as classes sociais convivem essa alienação. É culpa do sistema político, que não abre as portas e permite a população participar”, alertou Goura, ao concluir a resposta aos jornalistas que iniciaram a conversa perguntando como ele tinha entrado na política.

Goura disse que para resgatar a cidade para a maioria dos moradores é preciso um trabalho de combate aos movimentos que desqualificam e generalizam contra, só para criar uma aversão à política. “Sem a política não temos sociedade, sem política não temos democracia.”

Participação popular

Um dos instrumentos, segundo ele, é permitir que os espaços políticos sejam ocupados. “Os representantes das comunidades devem ter voz ativa em conselhos municipais e independência para apresentar sugestões e cobrar o cumprimento dos compromissos assumidos”, disse.

“Não tem sentido, por exemplo, que o presidente do Conselho Municipal de Cultura seja o presidente da Fundação Cultural de Curitiba (FCC). Vou defender que seja escolhido um representante da sociedade civil para representar os anseios de toda a categoria”, exemplificou Goura.

Economia solidária

“Prefeitura deveria criar projetos de economia solidária para tirar as pessoas da crise do desemprego”, disse Goura, ao ser perguntado sobre o que fazer para se ter uma retomada econômica nesta pandemia do novo coronavírus.

Segundo ele, há meios de combater a crise econômica com a ajuda do poder municipal. Para isso, é preciso ter projetos que apoiem, por exemplo, o setor da economia solidária, capaz de gerar empregos, renda e estimular novos empreendimentos nos bairros, criando um ciclo de desenvolvimento onde a população é a comandante do processo.

Goura explicou que a economia criativa é caracterizada por feiras e eventos, em que os associados se unem para prestar vários serviços e comercializar produtos feitos nos bairros, como alimentos, artesanato, cultura e lazer.

“Com a prefeitura criando esse palco de políticas públicas de qualidade, teremos a chance de a população ocupar a cidade e empreender, com oportunidade de ter feiras não só no Portão, mas nos 75 bairros da cidade”, afirmou.

“Quando se fala de economia solidária, a gente fala de ações já presentes, mas que ainda não recebem o devido apoio do poder público. A própria população vai empreender e criar, com a cidade gerando riqueza e qualidade de vida”, disse Goura.

Chances de trabalho

“O poder público tem que proporcionar meios para a população se apropriar dos espaços públicos. Existe uma subestimação do poder criativo da população. Já existem diversas redes e coletivos de economia solidária, que proporcionam inclusão social, geração de renda e resgate da autoestima.”

Ele citou a Rede Libersol como exemplo de movimento que faz esse trabalho. “Entendemos que a economia solidária deve permear todos os bairros da cidade e dar meios para que a própria população possa recriar e ocupar a cidade”, propôs Goura.

Enfrentar as desigualdades

Iniciativas para apoiar a geração de empregos e renda, lembrou o pedetista, também passam por ações da prefeitura que atendam quem mais precisa, como as cerca de 150 mil pessoas que vivem em 350 favelas existentes em Curitiba e as aproximadamente 40 mil pessoas que estão na fila da Cohab.

“Temos que enfrentar essas desigualdades sociais que existem em Curitiba”, afirmou Goura.

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